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terça-feira, 26 de outubro de 2010

FILOSOFANDO...

Como vocês sabem, acabei de me mudar, e à medida que vou decorando a casa, acontece alguma coisa ou vejo algum objeto que me faz ter vontade de escrever.
O assunto de hoje é um bar. Meu marido tem um bar, que ele leva aonde vai. O bar é um trambolho que deve ter uns 20 anos. Não combina com nada, mas todo mundo gosta de ficar lá jogando conversa fora enquanto bebe alguma coisa (inclusive eu). Mas não combina com nada. Uma vez uma amiga minha me disse a seguinte frase, que nunca esqueço: "oh amiga, a sua casa nunca vai ser bonita..." Pois é, tive que ouvir isso, mas ou era marido + bar ou nada de marido, então fiquei com os dois. O bar é tão velho e já se mudou tantas vezes que o marceneiro que o monta e desmonta já avisou que da próxima vez, só um novo - esse não aguenta mais... vai morrer aqui. Então é isso, vou ter que viver com ele, e mais, harmonizá-lo com a decoração da casa. E é sobre isso que quero falar hoje.
Muitas vezes o cliente tem alguns móveis e objetos dos quais não abre mão: lembranças de viagens, bens de família, cúmplices de bons e maus momentos. E ele está certíssimo. Se a casa é dele, ele tem todo direito de manter nela a sua história. Lembra da geladeira na minha sala? Pois é. E cabe ao designer respeitar isso. Se você contratar um profissional para projetar ou reformar sua casa e ele sugerir que você compre tudo novo, que se desfaça de todos os seus móveis, enfeites, quadros, saia correndo. Claro que nem tudo vai ser aproveitado, afinal de contas, se é para manter as coisas como estão, para que gastar dinheiro com um profissional? Mas algumas coisas não podem ser descartadas. Algumas serão consertadas, outras remodeladas. Móveis receberão pintura nova, tecidos atuais, uma nova roupagem.  Quadros podem ter suas molduras renovadas. E aqueles objetos que ganharam a dignidade do tempo, ficarão iguais a nós todos: desgastados, marcados, riscados, mas cheios de significado. E ao olhar para eles, seus donos se emocionarão com as lembranças que despertam, assim como o bar do meu marido.